sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Filmes brasileiros com mais de 500 mil espectadores – uma atualização e complementação


Nessa semana, a ANCINE divulgou os dados preliminares sobre o lançamento de filmes brasileiros em 2016. Nas 52 semanas cinematográficas compreendidas entre 29/12/2015 e 04/01/2016, foram lançados 142 filmes nacionais nas salas de cinema, o maior número de filmes desde 1995, superando os número de 2013 e 2015 que tiveram 129 lançamentos. Esses filmes representaram 16,5% do público e 14,0% da renda de bilheteria dos cinemas no ano passado. No conjunto, esses filmes atingiram uma renda de R$ 362.747.043,39 proveniente de 30.410.522 ingressos.
Em post publicado na véspera de Natal, fiz uma análise dos filmes brasileiros que superaram a marca de 500 mil espectadores. Como os dados de 2016 ainda não estavam finalizados, atualizo aqui aquela análise e complemento com outras informações.
Entre 1970 e 2016, 498 filmes brasileiro tiveram mais de 500 mil espectadores nas salas de cinema. Nesse conjunto, apenas três filmes superaram a marca de 10 milhões de espectadores: Os dez mandamentos - o filme de Alexandre Avancini lançado em 2016 com 11.305,479 espectadores; Tropa de elite 2 de José Padilha com público de 11.146.723 em 2010; e Dona Flor e seus dois maridos, sucesso de 1976, dirigido por Bruno Barreto, que atingiu 10.735.524 espectadores. Na tabela a seguir estão os 20 filmes de maior público nesse período.

Título
Diretor
Produtora
UF
Ano
Público
Os Dez Mandamentos - O Filme
Alexandre Avancini
Rede Record de Televisão
SP
2016
11.305.479
Dona Flor e seus Dois Maridos
Bruno Barreto
LC Barreto
RJ
1976
10.735.524
A Dama do Lotação
Neville de Almeida
Regina Filmes
SP
1978
6.509.134
Se Eu Fosse Você 2
Daniel Filho
Total Entertainment
RJ
2009
6.112.851
O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1977
5.786.226
Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia
Hector Babenco
HB Filmes
SP
1977
5.401.325
Dois Filhos de Francisco: a História de Zezé Di Camargo & Luciano
Breno Silveira
Conspiração Filmes
RJ
2005
5.319.677
Os Saltimbancos Trapalhões
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1981
5.218.478
Os Trapalhões na Guerra dos Panetas
Adriano Stuart
Renato Aragão Produções Artísticas
RJ
1978
5.089.970
Os Trapalhões na Serra Pelada
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1982
5.043.350
O Cinderelo Trapalhão
Adriano Stuart
Renato Aragão Produções Artísticas
RJ
1979
5.028.893
De Pernas pro Ar 2
Roberto Santucci
Morena Filmes Ltda.
RJ
2012
4.846.273
O Casamento dos Trapalhões (1)
José Alvarenga Jr
Renato Aragão Produções Artísticas
RJ
1988
4.779.027
Coisas Eróticas
Raffaele Rossi, L.Callachio
Empresa Cinematográfica Rossi
SP
1982
4.729.484
Carandiru
Hector Babenco
HB Filmes
SP
2003
4.693.853
Os Vagabundos Trapalhões
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1982
4.631.914
Minha Mãe é uma Peça
André Pellenz
Migdal Produções cinematográficas Ltda
RJ
2013
4.600.145
O Trapalhão no Planalto dos Macacos
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1976
4.565.267
Simbad, o Marujo Trapalhão
J.B. Tanko
J.B.Tanko Filmes
RJ
1976
4.406.200
O Rei e os Trapalhões
Adriano Stuart
Renato Aragão Produções Artísticas
RJ
1980
4.240.757

Entre esses vinte filmes, oito foram lançados nos anos 70 e seis nos anos 80. Nos anos 90, marcados pela crise do cinema brasileiro, nenhum filme atingiu mais do que 4 milhões de espectadores. Como já é de amplo conhecimento, em 1995, o filme Carlota Joaquina, Princesa do Brasil de Carla Camurati foi visto por 1.286.000 pessoas, marcando o que foi denominado a Retomada do cinema brasileiro. Assim, depois da Retomada, somente em 2003 um filme brasileiro ultrapassou a marca de 4 milhões de espectadores, sendo que entre 2003 e 2016, figuram seis filmes na tabela acima. 
Metade desses filmes são sucessos de Renato Aragão com temáticas associadas aos Trapalhões, programa de televisão infantil. Entre os mais recentes, se destacam três comédias que contam com a participação de atores vinculados à Rede Globo de Televisão. Além desses, há o filme religioso produzido pela Rede Record que assumiu o primeiro lugar em termos de público e renda nesses 47 anos do cinema nacional.
Ao analisarmos o desempenho dos filmes brasileiros nesses 47 anos, observa-se que a década dos anos 70 foi a de maior sucesso para os filmes brasileiros. Entre 1970 e 1979, foram 244 filmes com mais de 500 mil ingressos vendidos, totalizando um público de quase 294 milhões. Na década seguinte, o número de filmes com público acima dessa marca foi bem menor, 118. Estes obtiveram um público total de 176,7 milhões entre 1980 e 1989. Nos anos 90, marcados pela crise dos anos do governo Collor entre 1990 e 1992 e a posterior Retomada do Cinema Brasileiro, a partir de 1995, o número de filmes caiu para apenas cinco filmes entre 1990 e 1991, e outros doze filmes entre os anos de 1995 a 1999. No conjunto, os dezessete filmes foram vistos por 24,4 milhões de pessoas. O ritmo da Retomada continuou na primeira década dos anos 2000. Entre 2000 e 2009, foram 55 filmes com público maior que 500 mil espectadores. Estes foram vistos por 93,3 milhões de pessoas, quase quatro vezes a marca dos anos 90.
O crescimento continuou nos últimos sete anos. Nesse período, 64 filmes conseguiram superar a marca de 500 mil ingressos vendidos. Isso equivale a uma média de 9,1 filmes por ano. Na primeira década do século 21 esta média foi de 5,5 filmes por ano. No entanto, os números dos últimos sete anos ainda estão muito abaixo daqueles conseguidos nos anos 70, quando o número médio de filmes com mais de 500 mil espectadores foi de 24,4 ao ano com público médio anual de 29,4 milhões. No que diz respeito ao público desses filmes entre 2010 e 2016, a quantidade atingiu a marca de 133,8 milhões de espectadores, com média anual de 19,1 milhões. Este resultado equivale a 65,1% da média anual dos anos 70. 
Será que os próximos três anos levarão esse resultado próximo dos números da década de 70? É pouco provável. No entanto, pode ser que a segunda década do século 21 se aproxime muito dos números obtidos nos anos 80. Em termos de média anual, naquela década foram 11,8 filmes com público de 17,7 milhões, ao passo que no último, os números foram de 9,1 filmes por ano, e público anual médio superior, chegando a 19,1 milhões. A tabela apresenta os dados agrupados por década.

Período
Filmes
Média Anual
Público
Média Anual
1970-1979
244
24,4
293.661.323
29.366.132
1980-1989
118
11,8
176.745.686
17.674.569
1990-1999
17
1,7
24.375.158
2.437.516
2000-2009
55
5,5
93.157.836
9.315.784
2010-2016
64
9,1
133.814.926
19.116.418
Total
498
10,6
721.754.929
15.356.488

Há um aspecto forte de sazonalidade no mercado cinematográfico. Os dados disponibilizados pela ANCINE foram tratados agrupando os filmes por mês de lançamento. Como era de se esperar, os períodos de férias foram os que tiveram maior número de filmes que superaram a marca de 500 mil espectadores. O mês de dezembro, foi o que apresentou o maior número de filmes lançados nessas quase cinco décadas, 69, com um público total de 112,7 milhões. No entanto, janeiro que teve 37 filmes lançados, alcançou uma média de público maior. O mês de junho foi o que teve o terceiro maior número de filmes e a segunda média por filme. A tabela apresenta esse resumo. Apenas 13 filmes não tinham informação sobre mês de lançamento.

Mês
Filmes
Público
Média
Janeiro
37
74.869.661
2.023.504
Fevereiro
27
29.543.427
1.094.201
Março
32
34.338.721
1.073.085
Abril
40
58.187.662
1.454.692
Maio
34
31.666.114
931.356
Junho
49
98.080.479
2.001.642
Julho
31
47.675.284
1.537.912
Agosto
37
53.320.595
1.441.097
Setembro
51
56.437.029
1.106.608
Outubro
40
58.221.513
1.455.538
Novembro
38
53.789.532
1.415.514
Dezembro
69
112.692.959
1.633.231
Não informado
13
12.931.953
994.766

O Mercado produtor de filmes brasileiros é altamente concentrado nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Esta concentração se manteve ao analisarmos a origem dos filmes com mais de 500 mil espectadores. 267 filmes foram produzidos no Rio de Janeiro, 218 em São Paulo. Em terceiro lugar, ficou o Rio Grande do sul com apenas onze filmes. Por fim, Ceará teve dois filmes e um foi produzido em Minas Gerais.
Esta situação se reflete, também, na presença de um pequeno número de produtoras que foram responsáveis por 47,6% do público desses 498 filmes, com o lançamento de 31,7% dos filmes com mais de 500 mil pagantes. São onze produtoras cariocas, três sediadas em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul.
A produtora de Renato Aragão, com 25 filmes, está presente nessa lista entre 1978 e 1999. O público desses filmes superou 71 milhões de pessoas, ou seja, quase 10% do total de público nos 47 anos. Em segundo lugar, surgiu a J.B. Tanko, produtora também dos filmes de Renato Aragão, com presença na lista entre 1973 e 1982. Em seguida, se destaca a PAM Filmes que produziu os filmes de Mazzaropi que fizeram muito sucesso entre 1971 e 1980. A produtora de Luis Carlos Barreto teve 14 filmes na lista entre 1972 e 1984 e, voltou a integrá-la, em 1995 com a coprodução do filme O quatrilho de Fábio Barreto que fez parte da Retomada do cinema brasileiro.
Duas produtoras com presença forte em pornochanchadas estão entre as de maior bilheteria com atuação entre 1970 e 1982. A Cinedistri teve um público de 20,8 milhões com 18 filmes, embora nem todos tenham sido pornochanchadas. Por outro lado, a Sincrocine com 14 filmes atingiu pouco mais de 20 milhões de expectadores com 14 filmes, entre os quais se destacam duas adaptações da obra de Nelson Rodrigues, Bonitinha, mas ordinária e Beijo na Boca. Também com atuação forte nos anos 70 e 80, a R.F.Farias consegui um público de 18,3 milhões com uma carteira de filmes bem diversificada.
A lista inclui um conjunto pequeno de produtoras que estão no mercado a menos tempo, a partir do final dos anos 90 e começo do século 21. É o caso da Diler & Associados, Conspiração Filmes, Total Entertainment, Zazen e Lereby.
A Morena filmes que teve algum sucesso com dois filmes de Sergio Rezende nos anos 80, O Homem da Capa Preta e Guerra de Canudos, foi a responsável pela produção das comédias De pernas por ar e De pernas pro ar 2, que juntas tiveram mais de 8,3 milhões de público em 2011 e 2012. Com apenas um filme, a Rede Record de Televisão entrou nessa lista com Os Dez Mandamentos - O Filme. Por fim, a produtora do cineasta Hector Babenco consta da lista com cinco filmes do próprio, com presença desde 1975 até 2003.

Produtora
UF
Filmes
Público
Período
Renato Aragão Produções Artísticas
RJ
25
71.106.260
1978-1981; 1983-1991; 1997-1999
J.B. Tanko Filmes
RJ
10
37.815.920
1973-1977; 1979; 1981; 1982
PAM Filmes
SP
10
27.294.885
1971-1980
LC Barreto
RJ
15
24.993.831
1972-1976; 1978; 1980-1984; 1995
Diler & Associados
RJ
16
23.563.802
1999-2008
Cinedistri
SP
18
20.880.371
1970-1979
Sincrocine
RJ
14
20.187.970
1971-1972; 1974-1982
Conspiração Filmes
RJ
10
19.465.174
2000; 2003; 2005;2008; 2009; 2011; 2012; 2015
Produções Cinematográficas R.F. Farias
RJ
14
18.303.544
1970-1972; 1975-1977; 1982; 1986
Total Entertainment
RJ
5
15.810.369
2004; 2006;2009; 2011
HB Filmes
RJ
5
15.190.176
1975; 1977; 1980; 1986; 2003
Zazen Produções Audiovisuais
RS
2
13.564.477
2007; 2010
Lereby Produções
RJ
8
12.293.308
1999; 2001; 2004; 2006; 2007; 2010; 2014
Morena Filmes
RJ
5
11.547.504
1982; 1986; 1997; 2011; 2012
Rede Record de Televisão
SP
1
11.305.479
2016

Encerrando este post, que já está demasiado longo, achei interessante verificar quais foram os diretores que tiveram maior número de público ao longo desses 47 anos. A lista completa de diretores que tiveram ao menos um filme com mais de 500 mil espectadores tem 218 nomes. Destes, seis conseguiram ultrapassar a barreira dos vinte milhões de espectadores. Na próxima tabela, estão seus nomes, número de filmes, relação de filmes e público. Do seis nomes, três estiveram envolvidos com os filmes dos Trapalhões (J.B. Tanko, Adriano Stuart e José alvarenga Júnior), Pio Zamuner, diretor dos filmes de Mazzaropi, se destacou na década de 70. E, mais recentemente, Daniel Filho e Roberto Santucci filho têm se destacado com a exploração do gênero de comédias, especialmente com a presença de atores e atrizes da Rede Globo de Televisão.

Diretor
Filmes
Anos
Público
J.B. Tanko
(14) Som, Amor e Curtição; Salve-se Quem Puder; Robin Hood e o Trapalhão da Floresta; Aladim e a Lâmpada Maravilhosa; O Trapalhão na Ilha do Tesouro; O Trapalhão no Planalto dos Macacos; Simbad, o Marujo Trapalhão; O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão; As Borboletas Também Amam; Os Saltimbancos Trapalhões; Rua Descalça; Os Trapalhões na Serra Pelada; Os Vagabundos Trapalhões; Os Fantasmas Trapalhões
1972; 1973; 1974; 1974; 1975; 1976; 1976; 1977; 1979; 1981; 1981; 1982; 1982;1987
44.526.406
Adriano Stuart
(7) Já não se Faz Amor como Antigamente; Bacalhau; Os Trapalhões na Guerra dos Panetas; O Cinderelo Trapalhão; O Rei e os Trapalhões; Os Três Mosquiteiros Trapalhões; O Incrível Monstro Trapalhão
1976; 1976; 1978; 1979; 1980; 1980; 1981
25.455.748
Roberto Santucci Filho
(9) De Pernas pro Ar; De Pernas pro Ar 2; Até que a Sorte nos Separe; Até que a Sorte nos Separe 2; O Candidato Honesto; Até que a sorte nos separe 3; Loucas pra Casar; Qualquer Gato Vira-lata 2; Um Suburbano Sortudo
2011; 2012; 2012; 2013; 2014; 2015; 2015; 2015; 2016
25.346.562
José Alvarenga Jr
(10) O Casamento dos Trapalhões; Os Heróis Trapalhões; A Princesa Xuxa e os Trapalhões; O Mistério de Robin Hood; Os Trapalhões e a Árvore da Juventude; Zoando na Tv; Os Normais; Os Normais 2; Divã; Cilada.com
1988; 1988; 1989; 1990; 1991; 1999; 2003; 2009; 2009; 2011
25.083.808
Daniel Filho
(10) O Casal; O Cangaceiro Trapalhão; A Partilha; A Dona da História; Muito Gelo e Dois Dedos D'Água; Se eu Fosse Você; O Primo Basílio; Se Eu Fosse Você 2; Chico Xavier; Confissões de Adolescente - o Filme
1975; 1983; 2001; 2004; 2006; 2006; 2007; 2009; 2010; 2014
23.258.808
Pio Zamuner
(8) O Grande Xerife; Um Caipira em Bariloche; Jeca Macumbeiro; Jeca Contra o Capeta; Jecão, um Fofoqueiro no Céu; Jeca e seu Filho Preto; A Banda das Velhas Virgens; Jeca e a Égua Milagrosa
1972; 1973; 1975; 1976; 1977; 1978; 1979; 1980
22.400.760


sábado, 24 de dezembro de 2016

Filmes brasileiros com mais de 500 mil espectadores

Entre 1970 e 2015, 486 filmes brasileiro tiveram mais de 500 mil espectadores nas salas de cinema. Nesse ano, até a primeira semana de dezembro, completando 48 semanas de exibição no ano, mais nove filmes conseguiram superar essa marca.
Nesse conjunto, apenas três filmes superaram a marca de 10 milhões de espectadores: Os dez mandamentos - o filme de Alexandre Avancini lançado em 2016 com 11.305,479 espectadores; Tropa de elite 2 de José Padilha com público de 11.146.723 em 2010; e Dona Flor e seus dois maridos, sucesso de 1976, dirigido por Bruno Barreto, que atingiu 10.735.524 espectadores.
Ao analisarmos o desempenho dos filmes brasileiros nesse 47 anos, observa-se que a década dos anos 70 foi a de maior sucesso para os filmes brasileiros. Entre 1970 e 1979, foram 244 filmes com mais de 500 mil ingressos vendidos, totalizando um público de quase 294 milhões.
Na década seguinte, o número de filmes com público acima dessa marca foi bem menor, 118. Estes obtiveram um público total de 176,7 milhões entre 1980 e 1989.
Nos anos 90, marcados pela crise dos anos do governo Collor entre 1990 e 1992 e a posterior Retomada do Cinema Brasileiro, a partir de 1995, o número de filmes caiu para apenas cinco filmes entre 1990 e 1991, e outros doze filmes entre os anos de 1995 a 1999. No conjunto, os dezessete filmes foram vistos por 24,4 milhões de pessoas. Ou seja, 8,3% do público dos anos 90 e 13,8% dos da década anterior.
O ritmo da Retomada continuou na primeira década dos anos 2000. Entre 2000 e 2009, foram 55 filmes com público maior que 500 mil espectadores. Estes foram vistos por 93,3 milhões de pessoas, quase quatro vezes a marca dos anos 90.
O crescimento continuou nos últimos sete anos. Desde 2010 até a primeira semana de dezembro de 2016, 61 filmes conseguiram superar a marca de 500 mil ingresso vendidos. Isso equivale a uma média de 8,6 filmes por ano. Na primeira década do século 21 esta média foi de 5,5 filmes por ano. No entanto, os números dos últimos sete anos ainda estão muito abaixo daqueles conseguidos nos anos 70, quando o número médio de filmes com mais de 500 mil espectadores foi de 24,4 ao ano com público médio anual de 29,4 milhões. No que diz respeito ao público desse filmes entre 2010 e 2016, a quantidade atingiu a marca de 128 milhões de espectadores, com média anual de 18,3 milhões. Este resultado equivale a 62,2% da média anual dos anos 70. Será que os próximos três anos levarão esse resultado próximo dos números da década de 70? É pouco provável.
No entanto, pode ser que a segunda década do século 21 se aproxime muito dos números obtidos nos anos 80. Em termos de média anual, naquela década foram 11,8 filmes com público de 17,7 milhões, ao passo que o último período teve uma média de 8,7 filmes por ano, mas com público anual médio superior, chegando a 18,4 milhões. Em janeiro, quando os número de 2016 estiverem completos, atualizarei este post.

Período
Filmes
Média Anual
Público
Média Anual
1970-1979
244
24,4
293.661.323
29.366.132
1980-1989
118
11,8
176.745.686
17.674.569
1990-1999
17
1,7
24.375.158
2.437.516
2000-2009
55
5,5
93.157.836
9.315.784
2010-2016
61
8,7
128.612.155
18.373.165
Total
495
10,5
716.552.158
15.245.791

domingo, 27 de novembro de 2016

A Volta ao Mundo do Cinema Brasileiro em 80 filmes: 4a – Limite de Mario Peixoto

Retomo essa viagem que comecei em julho de 2015. A intenção era, e continua sendo, assistir filme, ler texto, refletir, escrever; assistir, ler, refletir, escrever; assistir, ler, refletir, escrever... Uma vontade de conhecer mais sobre o cinema brasileiro, desde suas origens até os dias de hoje.
No ano passado, foram quatro destinos: O Padre e a Moça de Joaquim Pedro de Andrade (http://leiturasemcinema.blogspot.com.br/2015/07/a-volta-ao-mundo-do-cinema-brasileiro.html); Rio, 40 graus de Nelson Pereira dos Santos (http://leiturasemcinema.blogspot.com.br/2015/07/a-volta-ao-mundo-do-cinema-brasileiro_22.html); Ganga Bruta de Humberto Mauro (http://leiturasemcinema.blogspot.com.br/2015/08/a-volta-ao-mundo-do-cinema-brasileiro.html); e Limite de Mario Peixoto (http://leiturasemcinema.blogspot.com.br/2015/08/a-volta-ao-mundo-do-cinema-brasileiro_30.html). Retomo minha viagem com essa última parada.
Ontem revi essa obra-prima e única de Mario Peixoto. Mais uma vez fui arrebatado pela sua beleza. Na beleza do filme, Peixoto nos levou a refletir sobre os limites da vida humana e as suas possibilidades: Resignação ou persistência? Determinismo ou voluntarismo? Para Mello (2007) é uma tragédia cósmica sobre a derrota humana. Para Souza (2001), é um discurso sobre resistência e luta pela vida. Entre as opções, uma miríade de emoções brotam da experiência de assistir este que Machado (2010, p. 27) considera o marco inaugural do cinema experimental na América Latina. Um cinema que não se enquadra nos limites das classificações usuais: nem ficção, nem documentário.
Cinema na forma de arte. Cinema-poesia. No dizer de Santos (2011, p 22), o filme se organiza de forma poética, de maneira oposta aos discursos que a partir de Griffith passaram as narrativas cinematográficas. Esta distinção ´foi reforçada por Mello (2007, p. 39) Para ele, Limite não é um filme narrativo... o filme se constrói... no plano visual e rítmico... as imagens geradas pelo tema só têm sentido no ritmo dado pela montagem.
La Ferla (2008) apontou que o longa de Mario Peixoto está sendo objeto de um crescente número de estudos. A importância de Limite vai além da dimensão histórica. Segundo La Ferla (2008), além de surgir no começo do cinema brasileiro, Limite é importante também pela sua forma de criação audiovisual e encenação cinematográfica. Assim como Machado (2010), La Ferla ressalta as características de cinema experimental de Limite.
Enfim, aos 22 anos, Mario Peixoto deu concretude, de uma forma altamente abstrata, à ideia nascida em Paris no ano de 1929. Segundo informa Mello (2007), após uma situação de conflito com o pai, Peixoto sai e vê, em um quiosque a capa da revista Vu, número 74, que tem uma foto que mostra a cabeça de uma mulher, olhando para a frente, enlaçada por punhos masculinos algemados. Esta foto é representada nos momentos iniciais e finais do filme e sugere o tema de Limite. Para uns, como disse acima, de angústia, resignação, derrota ou desistência da luta da vida. Para outros, o contrário. O que lhe dirá o filme?

Resultado de imagem para limite filme

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Ficha técnica:
Limite, longa metragem, P/B. Produção, roteiro, direção e montagem: Mário Peixoto; Fotografia e câmera Edgar Brazil. Assistente geral: Rui Costa; Elenco: Olga Brenno, Taciana Rei, Raul Schnoor, Brutus Pedreira, Mario Peixoto, Carmem Santos; Trilha musical organizada com discos comuns,78 rotações, por Brutus Pedreira, com peças de Satie, Debussy, Borodin, Ravel, Stravinski, César Frank e Prokofiev. Filmado em Mangaratiba (RJ), 1931. Fonte: Santos (2011).

LA FERLA, Jorge Limite. Sinfonia do sentimento. Ars, v. 16, n. 12, p. 69-79, 2008.

MACHADO, Arlindo Pioneiros do vídeo e do cinema experimental na América Latina. Significação, n. 33, p. 21-40, 2010.

MELLO, Saulo Pereira Limite: Angústia. Alceu, v. 8, n 15, p 38-47, 2007.

SANTOS, Ney Costa Limite, um mundo sem Deus. Alceu, v. 11, n. 22, p. 194-200, 2011.


SOUZA, Tânia C. Clemente de Discurso e cinema: uma análise de Limite. Ciberlegenda, n. 4, p. 1-19, 2001.

domingo, 2 de outubro de 2016

Política de Fomento ao Cinema: anotações de leituras

Em meus estudos de cinema, faço leituras que se dividem em três focos. No primeiro, busco ler sobre o cinema enquanto arte e manifestação da cultura em geral. O segundo foco está centrado no entendimento dos aspectos industriais, quando leio textos sobre produção, distribuição ou exibição e práticas organizacionais nesses campos de atuação cinematográfica. Por fim, há o tema do apoio governamental à arte e indústria do cinema. Neste post, apresento uma breve descrição de alguns pontos que encontrei em cinco leituras sobre esse último foco. quatro tratam exclusivamente de ações do governo brasileiro nesse campo. Por mera coincidência, acabam trazendo, no seu conjunto, um panorama histórico, ainda que incompleto, desde a década de 30 até os dias atuais. A última leitura apresenta comparativo das indústrias cinematográficas de Brasil, Argentina e México e ao final sugere políticas intergovernamentais, salientando a relevância de cooperação latino-americana nesse setor para desenvolvimento da arte e indústria da chamada imagem em movimento..
 Almeida (1999) analisou a relação entre os produtores cinematográficos brasileiros e o Estado na criação de órgãos de incentivo e proteção ao cinema nacional. Com base nas experiências de utilização do cinema como instrumento de educação e propaganda na Alemanha, Itália e URSS, os produtores brasileiros conseguiram de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945), a edição do decreto-lei nº 21.240, de quatro de abril de 1932 que determinava a redução das tarifas alfandegárias para filmes virgens e impressos, a nacionalização da censura e a criação de três novas instituições culturais: a Revista Nacional de Educação, o Instituto Cinematográfico Educativo, e um “órgão técnico, destinado não só a orientar a utilização do cinematógrafo, assim como dos demais processos técnicos, que sirvam como instrumentos de difusão cultural” (ALMEIDA, 1999, p. 122).
Mais tarde, em 1934, com a criação do Departamento de Propaganda e Difusão Cultura (DPDC)l, segundo Almeida (1999), os produtores conseguiram o estabelecimento de estímulos à produção e distribuição do cinema brasileiro. No entanto, o próprio DPDC, a partir de 1938, passa a produzir o Cinejornal Brasileiro, que iria disputar com os produtores nacionais o espaço obrigatório de apresentação de curtas nacionais nas salas brasileiras (ALMEIDA, 1999, p. 127). Assim, embora tenham sido criados mecanismos de apoio ao cinema nacional, seus produtores não conseguiram fazer uso pleno dos mesmos naqueles anos.
Amâncio (2007) apresenta um breve histórico da atuação da Embrafilme no que considerou um pacto cinema-estado que articulou interesses desenvolvimentistas do governo militar nos anos 70, embora com ênfase exportadora, com a defesa e promoção da atividade de produção e distribuição do cinema brasileiro. Tendo seu período mais forte até o final da década de 70, nos anos 80 a empresa enfrentaria a crise econômica o que acarretou a diluição do crescimento, culminado no começo dos anos 90 com a extinção da empresa e de todo o aparato construído nas duas décadas anteriores de fomento ao cinema brasileiro.
O período entre a extinção da Embrafilme e a criação da ANCINE, em 2002, recebeu comentários de Estevinho (2009). No texto, o autor lembra que, em setembro de 1999, foi constituído o GEDIC – Grupo Executivo da Indústria Cinematográfica, composto por representantes de alguns ministérios, representantes das emissoras de televisão e cineastas. Fruto das discussões desse grupo, surgirá em 2002, a ANCINE, que retomaria “as ambições desenvolvimentistas que atravessaram a história do cinema brasileiro desde o final dos anos 1960” (ESTEVINHO, 2009, p. 127), embora houvesse um conflito entre um grupo que enfatizava a vinculação da indústria cinematográfica com a indústria da TV e outro que ressaltava os aspectos culturais da arte do cinema e valorizava sua autonomia, cabendo ao Estado um papel de viabilizador dessa atividade cultural. Segundo Estevinho (2009, p. 128), a ANCINE foi criada reforçando a posição do segundo grupo com objetivos bem delimitados “fomento à produção e regulação do mercado audiovisual com a construção de uma indústria cinematográfica autossustentável no país”.
O impacto da Lei 12.485/2011 sobre a produção audiovisual brasileira, a chamada Lei da TV Paga, é analisada por Costa (2015). Em seu texto, a autora argumenta que
“a lei tem, em parte, conseguido atingir seu objetivo de aumentar a penetração da TV paga no Brasil, provocando uma formação de mercado interno que poderá ser um trunfo para a produção independente. Para o cinema independente, a medida provou-se favorável. No entanto, não é possível mensurar, ainda, os efeitos reais sobre a dinamização e diversificação do mercado (operadores, tipos de produtos e quantidade) (p. 378).
Simis (2015) faz análise comparativa das indústrias cinematográficas no Brasil, Argentina e México que passaram por crises semelhantes com queda de produção, público e presença dos seus cinemas nacionais nas salas de cinema, além de transformação no mercado exibidor com o surgimento dos multiplex. Ao apontar as transformações que o setor cinematográfico sofreu entre os anos 80 e 90, com reflexos que são sentidos atualmente, a autora observa que a baixa presença da cinematografia nacional desses países em seus mercados exibidores reflete uma mudança radical na forma de exploração do filme. Esta mudança se associa ao surgimento do que a autora denomina neoliberalismo extremo do comércio cinematográfico, em que
houve um processo de desmantelamento do esquema tradicional de exibição, onde de alguma forma o cinema nacional tinha algum espaço para ser produzido e visto, e por outro lado um aumento constante no número atual de salas, mas sem nenhum vínculo com a produção de filmes nacional (p. 69).
Assim, as práticas de exibição no mercado cinematográfico passaram do que a autora chama de uma exploração em profundidade para uma de exploração em extensão. A primeira forma passava por uma sequência de salas começando “nas salas dos cinemas das metrópoles do Primeiro Mundo, seguida das salas no centro das grandes cidades dos países periféricos, e depois, para as salas situadas nos bairros e cidades do interior” (p.71). Enquanto que a exploração em extensão se relaciona com a utilização simultânea de um grande número de salas, acompanhada de um intenso esforço de publicidade. Isto segundo a autora, “dificulta a inserção do filme local, cujo marketing se resume muitas vezes ao boca a boca” (p. 71). Ao final do texto, a autora sugere a necessidade de políticas intergovernamentais como parte de esforços de revisão da forma de organização da indústria cinematográfica nesses países com ênfase na distribuição e exibição.

Referências

ALMEIDA, C. A. O cinema brasileiro no estado novo: o diálogo com a Itália, Alemanha e URSS. Revista de Sociologia e Política, n. 12. P; 121-129, 1999.

AMÂNCIO, TUNICO Pacto cinema-Estado: os anos Embrafilme. Alceu, v. 8, n. 15, p. 173-184, 2007.

COSTA, MANNUELA RAMOS DA Cinema, ao fim e ao cabo. Primeiras impressões sobre o impacto da Lei 12.485/2011, a Lei da TV paga, no Brasil. Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, v.4, n. 7, p. 356-380, 2015.

ESTEVINHO, TELMO ANTONIO DINELLI Cinema e política no Brasil: os anos da retomada. Aurora, n. 5, p. 120-130, 2009.


SIMIS, ANITA Economia política do cinema: a exibição cinematográfica na Argentina, Brasil e México. Versión Estudios de Comunicación y Política, n. 36, p. 54-75, 2015.

sábado, 24 de setembro de 2016

A chanchada no cinema brasileiro

Neste pequeno livro de 1983, Afrânio M. Catani e José I. de Melo Souza fazem uma incursão pela história do cinema brasileiro para narrar um período marcante de aproximação do cinema nacional com o povo brasileiro.
Concordando com Jean-Claude Bernadet, os autores afirmam que a primeira fase da chanchada brasileira se associa com alguns filmes cômicos dos anos 10 e 20 do cinema brasileiro. A segunda fase, para eles, começa em 1929, com a realização de Acabaram-se os otários  de Luiz de Barros. Situam o início da terceira fase entre 1944 e 1945 com os filmes carnavalescos Tristezas não pagam dívidas (1944) e Não adianta chorar (1945). É nesse período que surge a Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S/A. Por fim, uma quarta e última fase das chanchadas brasileiras, segundo Catani e Melo Souza se dá a partir de 1949 até o começo dos anos 60, com os filmes de critica social, especialmente na produção da Vera Cruz (p. 9-10).
Ao final do livro, comentam que foi graças às chanchadas e à receptividade junto ao grande público que o cinema brasileiro conseguiu sobreviver, apesar da enorme concorrência estrangeira. Mas, apenas sobreviver.... no auge das chanchadas - na primeira metade dos anos 50 - o cinema brasileiro ocupava somente 6% do mercado exibidor (p. 88).
Interessado que sou no entendimento da indústria do cinema brasileiro, procurei registrar uma pequena cronologia com alguns dados que surgem ao longo do livro:
a) 1930 – Cinédia é fundada por Ademar Gonzaga, em 16 de março (p. 25);
b) 1933 – Carmem Santos, atriz que atuava no cinema brasileiro desde 1919, fundou a Brasil Vita Filmes (p. 26);
c) 1934 - Obrigatoriedade do complemento nacional nas programações (p. 16 -17). Decreto 24.651 amparava e estimulava a produção de “filmes educativos” (p. 27);
d) 1935 – Wallace Downey criou a Waldow Filmes S/A (p. 26). Alô, Alô Brasil produção de Downey teve 124 dias de exibição (p. 33);
e) 1939 - Wallace Downey criou a Sonofilmes (p. 26);
f) 1939 – Fracasso da Empresa Sul Americana de Filmes (p. 26);
g) Durante a Segunda Guerra – Decreto (?) cria o Conselho Nacional de Cinema que raramente funcionou (p. 35);
h) 1941 – Criação da Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S/A em 16 de setembro (p. 36);
i) 1943 – Moleque Tião, primeiro filme da Atlântida, com Grande Otelo, exibido por 132 dias em São Paulo (p. 39-40). Tristezas não pagam dívidas, lançado no Rio, ficou 139 dias em cartaz (p. 42);
j) 1941 a 1947 – Consolidação da Atlântida como maior produtora do Brasil com estratégia em duas linhas complementares: chanchadas e fitas “socializantes” (p. 45); Segundo os autores, essa estratégia fez com que os filmes da empresa permanecessem anunciados em alguns cinemas dos grandes centros durante todo o ano, embora com minguados lucros (p. 46) devido a fraudes nos informes das salas exibidoras;
k) 1947 – Aumento do número de produtores e produções: Cinegráfica São Luiz, Cinelândia Filmes, Tapuia; truste exibidor de Luis Severiano Ribeiro Jr torna-se produtor que anteriormente comprara cotas da Distribuidora de Filmes Brasileiros (DFB) e da Distribuidora Nacional (DN) (p. 50). Coligada: União Cinematográfica Brasileira (UCE). Severiano torna-se acionista majoritário da Atlântida (p. 52);
l) 1949 – Em 03 de novembro foi criada a Companhia Cinematográfica Vera Cruz (p. 57). Em sua esteira surgiram a Maristela, Multifilmes e mais 40 ou 50 produtoras independentes (p. 57-58);
m) 1950 – Implantação da televisão no Brasil; Termina a década com 600.000 aparelhos instalados. (p. 63);
n) 1952 – Eliana Macedo acompanha o tio Watson Macedo e vai trabalhar na Watson Macedo Produções Cinematográficas (p. 47);
o) Entre 1947 e 1962 – com Severiano no comando da Atlântida, e atuando na produção, distribuição e exibição, foram lançadas dezenas de filmes (entre 40 e 80, dependendo da fonte) (p. 65).


Catani, Afrânio Mendes; Souza, José Inácio de Melo Souza A chanchada no cinema brasileiro. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983, 99p.

sábado, 13 de agosto de 2016

Economia política do cinema: uma leitura necessária

Anita Simis apresenta uma contribuição altamente relevante para se entender a situação dos mercados exibidores de cinema no Brasil, Argentina e México, em texto publicado ao final de 2015 no periódico Versión Estudios de Comunicación y Política.
Simis faz análise comparativa das indústrias cinematográfica desses países que passaram por crises semelhantes com queda de produção, público e presença dos seus cinema nacionais na salas de cinema, além de transformação no mercado exibidor com o surgimento dos multiplex.
Ao apontar as transformações que o setor cinematográfico sofreu entre os anos 80 e 90, com reflexos que são sentidos atualmente, a autora aponta que a baixa presença da cinematografia nacional desses países em seus mercados exibidores reflete uma mudança radical na forma de exploração do filme. Esta mudança se associa ao surgimento do que a autora denomina neoliberalismo extremo do comércio cinematográfico, em que "houve um processo de desmantelamento do esquema tradicional de exibição, onde de alguma forma o cinema nacional tinha algum espaço para ser produzido e visto, e por outro lado um aumento constante no número atual de salas, mas sem nenhum vínculo com a produção de filmes nacional" (p. 69).
Assim, as práticas de exibição no mercado cinematográfico passaram da “exploração do filme - em profundidade - ou seja,... primeiramente nas salas dos cinemas das metrópoles do Primeiro Mundo, seguida das salas no centro das grandes cidades dos países periféricos, e depois, para as salas situadas nos bairros e cidades do interior... [para] a exploração em extensão, isto é, a exibição em um grande número de salas simultaneamente, com uma publicidade acirrada e que dificulta a inserção do filme local, cujo marketing se resume muitas vezes ao boca a boca” (p. 71, grifos meu).
Ao final do texto, a autora sugere a necessidade de políticas intergovernamentais como parte de esforços de revisão da forma de organização da indústria cinematográfica nesses países com ênfase na distribuição e exibição.
Uma leitura que se impõe àqueles que desejam compreender a indústria cinematográfica brasileira sob a perspectiva de uma economia política do cinema.

SIMIS, Anita Economia política do cinema: a exibição cinematográfica na Argentina, Brasil e México. Version Estudios de Comunicación y Política, n. 36, p. 54-75, 2015.
Disponível em http://bidi.xoc.uam.mx/resumen_articulo.php?id=10284&archivo=7-710-10284wey.pdf&titulo_articulo=Economia%20pol%C3%ADtica%20do%20cinema:%20a%20exibi%C3%A7%C3%A3o%20cinematogr%C3%A1fica%20na%20Argentina,%20Brasil%20e%20M%C3%A9xico